Resenha crítica do Filme Hoje eu quero voltar sozinho


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UNIÃO METROPOLITANA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
PSICOLOGIA/ 3º SEMESTRE
LUANA SANTOS DE SOUSA


DESENVOLVIMENTO HUMANO II

Analise crítica do filme “Hoje eu quero
 voltar sozinho”  baseada na concepção
de Adolescência segundo Jean Piaget.

Orientador: Fernando Rodrigues



ASSUNTO 
Adolescência, Deficiência visual, sexualidade, homossexualidade, autoconhecimento, amor, relações afetivas e familiares. 

SINOPSE
Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego, tenta lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel (Fabio Audi) chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

Concepção de Adolescência segundo Jean Piaget
- A palavra “adolescência” vem da palavra latina “adolesco”, que significa crescer. É uma fase cheia de questionamentos e instabilidade, que se caracteriza por uma intensa busca de “si mesmo” e da própria identidade, os padrões estabelecidos são questionados, bem como criticadas todas as escolhas de vida feita pelos pais, buscando assim a liberdade e autoafirmação.
- Piaget afirmava que as mudanças na maneira como os adolescentes pensam sobre si mesmos, sobre seus relacionamentos pessoais e sobre a natureza da sua sociedade têm como fonte comum o desenvolvimento de uma nova estrutura lógica que ele chamava de operações formais.
- Para Piaget as transformações emocionais que ocorrem na adolescência dependem das transformações cognitivas e, uma das grandes transformações do estágio de desenvolvimento operatório formal é o surgimento do pensamento hipotético-dedutivo, diferente do estágio operatório concreto, em que a criança apenas raciocina sobre proposições que julgasse verdadeiras, apoiando-se no concreto para isso.
- O estágio da adolescência é caracterizado pela nova definição dos contornos da personalidade, estes rompem a tranquilidade afetiva e se desestruturam em função das modificações hormonais e corporais. Esta fase evidencia-se questões morais, pessoais e existenciais, predominando novamente a afetividade.

MEU textinho

Diante todos esses conceitos e caracterizações da fase mais complexa do ser humano, a adolescência, é fácil fazer uma análise de um filme tão claro e tão realista como “Hoje eu quero voltar sozinho” O filme conta a história de Léo, um jovem cego, que busca lidar da melhor maneira com a vida. No filme percebe-se alguns conflitos internos e externos que fazem parte da trajetória da vida do Léo, como questionamentos sobre o amor, sobre a vida, duvidas e descobrimento na sua sexualidade, desejo de independência financeira, e suas dificuldades pela questão de sua deficiência visual. A adolescência é um momento muito difícil, no qual os conflitos estão presentes nas pequenas coisas. Leonardo encontra obstáculos dentro e fora de casa. Os afetos e desafetos são retratados com suavidade, clareza e naturalidade. O filme retrata a realidade de muitas famílias com as crises entre pais super-protetores e filhos em sua fase de autoconhecimento e com diversos conflitos pessoais, causando assim desavenças e brigas entre eles. Muitas vezes, por diversas razões, os pais limitam ou tentam limitar o desenvolvimento dos filhos, sem que percebam onde, de fato, é o limite. Não é preciso ter uma deficiência física. Faz parte do processo, o filho descobrir onde é seu limite no conflito, na tensão. Não há crescimento sem confronto. O filme trata das particularidades do protagonista como trataria as especificidades físicas e de temperamento de qualquer adolescente, a história começou com o início do ano letivo e com a chegada de um aluno novo na escola, o Gabriel, que logo se aproxima dos amigos Leo e Giovana. Logo, os três adolescentes começam uma grande amizade que atravessa vários desafios: Giovana se vê apaixonada por Leo, e não suporta os ciúmes de vê-lo estar cada vez mais próximo de Gabriel, que por sua vez enfrenta a descoberta da sexualidade de ordem homoafetiva e o desejo que sente em segredo pelo seu novo amigo. Sabe se que é durante a adolescência que ocorre a interação entre o sujeito com grupo de iguais, envolvendo gêneros distintos. É comum surgirem neste momento os relacionamentos de ordem sexual e afetiva entre os integrantes desses grupos com seus pares e o despertar da sexualidade na adolescência está diretamente ligado à puberdade e maturação dos órgãos genitais. O desenvolvimento de laços afetivos nesta fase, tem forte ligação ao grupo com o qual o jovem forma seus pares, o que envolve característica pessoais e de expressão da personalidade. A inquietação e comportamento rebelde, também comuns nesta fase, estariam diretamente ligados a perda da infância e necessidade de assumir uma nova postura de vida e ideais, o que nem sempre é bem aceito pelos pais, que não aceitam muito bem o fato de que o jovem está crescendo, encerrando assim o vínculo de dependência. Leonardo sente essa necessidade de romper com a dependência da sua mãe, sobretudo pela deficiência visual, ele vê a necessidade de mostrar à ela que ele pode sim, ter uma vida normal, e gerir sua existência sem precisar da atenção constante da mãe frente à sua particularidade, a deficiência visual. A descoberta da própria sexualidade de Leo acontece naturalmente, junto a outras situações previstas neste rito de passagem. O mais interessante, é a capacidade que o filme tem de tratar de tabus como a deficiência visual e o homossexualismo sem ceder lugar ao preconceito. Até o bullying é mostrado sem alarde, o foco continua a ser a descoberta do amor, da amizade, das emoções que emergem nas relações. De forma simples, gentil, e delicada, a trama encanta aos espectadores de todas as idades. A suavidade com que trata dos temas é encantadora, sem polemizar nenhum dos assuntos, as coisas apenas são o que são, simples assim. 

Espero que tenham gostado. Beijos da Lu Sousa.


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